Arma secreta da Ucrânia tem o dobro do alcance (e pode mudar o curso da guerra)

Publicado por: Feed News
06/02/2023 21:50:58
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Divulgação/Redes Sociais
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As novas bombas permitirão à Ucrânia atingir praticamente todo o território controlado pelos russos e obrigarão as tropas de Moscou a recuar as linhas de abastecimento.

 

O próximo pacote de ajuda militar dos Estados Unidos para a Ucrânia deverá incluir uma nova arma que pode mudar o rumo da guerra.

 

Estas armas inteligentes são conhecidas como Ground-Launched Small Diameter Bomb (GLSDB) e consistem em bombas de precisão de 110 quilos, tendo um alcance de cerca de 150 quilómetros, praticamente o dobro de todas as outras bombas que os Estados Unidos forneceram até agora à Ucrânia.

 

As GLSDB podem ser disparadas com lançadores como o sistema HIMARS, que já está na Ucrânia. A bomba está equipada com “asas” que lhe permitem planar até chegar ao alvo e ainda um pequeno motor, relata o Wall Street Journal.

 

Isto permite fazer ataques com a mesma precisão que bombas lançadas de aviões, mas sem colocar o piloto ou a aeronave em risco. A bomba tem um sistema de localização tão sofisticado que a margem de erro é menor do que a espessura de um pneu de um carro, de acordo com os fabricantes.

 

A munição combina uma pequena bomba originalmente desenhada para ser lançada de aviões com um rocket que permite dispará-la a partir de um sistema terrestre — e já consegue contornar obstáculos, como sistemas de defesa antiaérea.

 

A nova adição ao arsenal ucraniano começou a ser desenvolvida pela empresa sueca Saab e pela americana Boeing em 2014, mas esta é a primeira encomenda. Foi a própria Boeing que sugeriu ao Departamento de Defesa em Novembro que esta arma fosse enviada para a Ucrânia.

 

Recorde-se que, no Verão, quando os EUA enviaram HIMARS pela primeira vez para a Ucrânia, exigiram garantias de que o sistema só seria usado durante uma batalha.

 

Desde então, os responsáveis ucranianos têm repetidamente pedido mais armamento ao Ocidente e realçam a necessidade de receberem o Sistema Míssil Táctico do Exército (ATACMS), que tem um alcance de mais de 300 quilómetros.

 

Washington tem sempre negado o pedido por receios de que esta decisão gere uma escalada no conflito e seja interpretada como uma provocação pelo Kremlin — isto porque estaria a fornecer armamento não de defesa, mas de ataque, o que pode encorajar a Ucrânia a bombardear território russo. O ATACMS é também bastante mais caro do que o GLSDB.

 

A entrega destas novas bombas inteligentes chega depois de os EUA e os aliados europeus terem finalmente chegado a acordo para o envio de tanques Leopard para a Ucrânia, pondo fim a um impasse gerado pela hesitação da Alemanha.

 

Rússia repensa estratégia

Este reforço da artilharia ucraniana vai obrigar Moscou a rever os seus planos. As tropas russas terão agora de afastar os seus mantimentos ainda mais da linha da frente, devido à possibilidade das novas armas poderem facilmente destruí-los.

 

Isto, por sua vez, vai deixar os soldados mais vulneráveis caso haja complicações na ofensiva. “Isto pode atrasar um ataque russo significativamente. Tal como o HIMARS influenciou significativamente o curso dos eventos, estes rockets podem influenciar ainda mais”, revela Andriy Zagorodnyuk, ex-Ministro da Defesa da Ucrânia, à Reuters.

 

“De momento não conseguimos alcançar as instalações militares russas a mais de 80 quilómetros de distância. Se conseguirmos chegar quase até à fronteira russa, ou até à Crimeia ocupada, então claro que isto vai diminuir o potencial dos ataques das forças russas”, considera ainda o analista militar ucraniano Oleksandr Musiyenko.

 

Crucialmente, a Ucrânia vai também conseguir chegar a todos os pontos da rota terrestre ocupada para a Crimeia, via Berdiansk e Melitopol. Assim, as tropas russas terão de levar os seus suprimentos para a ponte da Crimeia, que ficou muito danificada após um ataque em Outubro.

 

“A Rússia está usando a Crimeia como uma grande base militar de onde envia reforços para as suas tropas na frente sul. Se tivéssemos mais 150 quilómetros, poderíamos alcançá-la e interromper a conexão logística com a Crimeia”, remata Musiyenko.

 

Por   Adriana Peixoto,

Com informações da Agência ZAP/LUSO 

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