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Carlos Brickmann 30 de outubro Era uma vez um leão criado entre hienas e, tendo assimilado seus hábitos, pouco temido por elas. Quando os animais o elegeram seu rei, tomou posse do cargo com toda a pompa. Mas que fazer com as hienas, íntimas, que sabia...

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O rei dos animais

Publicado por: Redação
30/10/2019 06:27:40
Courtesy Pixabay
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Carlos Brickmann 30 de outubro

Era uma vez um leão criado entre hienas e, tendo assimilado seus hábitos, pouco temido por elas. Quando os animais o elegeram seu rei, tomou posse do cargo com toda a pompa. Mas que fazer com as hienas, íntimas, que sabiam o que ele tinha feito no verão passado?

 

Num belo dia, desfilando sua juba e seus urros, nosso leão foi desafiado por um grupo de hienas – que, embora portassem cartazes de identificação, tipo Supremo, PSL, Isentão, não se preocuparam em ser reconhecidas: foram para cima do leão, que urrava, ameaçava e continuava sendo atacado. Por pouco não pereceu, mas foi salvo por uma bela fêmea, identificada como Patriota Conservadora. E tudo terminou bem, num merecidíssimo descanso.

 

Este é o filme que foi repassado do twitter do presidente Jair Bolsonaro. É copiado da BBC Earth, https://www.huffpostbrasil.com/2018/12/03/um-leao-contra-mais-de-20-hienas-o-video-de-natureza-mais-eletrizante-de-2018_a_23607031/, e deve ter custado caro. Mesmo assim, foi retirado do ar tão logo o Governo percebeu com quem estava puxando briga. Mais caro ainda custou ao presidente: o STF inteiro se irritou ao ser chamado de bando de hienas, o PSL, ninho dos Bolsonaros, dificilmente aceitará em paz ser comparado a hienas, ficou claro a jornais e jornalistas que o Governo os detesta. Haverá reação – e a oportunidade está aí, a CPI das Fake News.

 

Joice diz que sabe o que fizeram no verão passado. E não é a única.

Mordendo a juba

Quem vai depor na CPI das fake news? Um nome certo é Paulo Marinho, em cuja casa, no Rio, esteve montado o QG da distribuição bolsonarista de fake news. Bolsonaro, terminada a eleição, nunca mais procurou Marinho. Ele se ligou a João Dória, que quer ser candidato. Alexandre Frota conhece muito. Há outros – embora não se saiba se todos estão com raiva suficiente para contar o que sabem. Gustavo Bebbiano, por exemplo. Ou o general Santos Cruz, ambos demolidos pelo trio 000, os filhos do presidente. Como estará Magno Malta, rejeitado por Bolsonaro para o governo? E há Joice.

 

Sossega, leão

Joice Hasselmann, ainda antes da CPI, já está batendo duro, e lançando as bases do que poderá ser um pedido de impeachment do presidente. Ela já disse que as notícias falsas eram produzidas por um grupo comandado por funcionários dos filhos de Bolsonaro. E, na televisão, completou a história: esse pessoal teria atuado até mesmo no gabinete do presidente da República, no Palácio do Planalto. Isso, se for confirmado, configura crime eleitoral e abre campo legal para a cassação do mandato do presidente.

 

Frase

Do decano Celso de Mello, o mais respeitado ministro do Supremo, sobre o filme em que Bolsonaro chama o tribunal de “hiena”: “O atrevimento presidencial parece não encontrar limites”. No tribunal, houve lembranças dos ataques da família presidencial, inclusive a declaração do 03 Eduardo Bolsonaro sobre o número de soldados necessário para fechar o Supremo.

 

Digamos que, nos julgamentos de interesse do presidente, nenhum dos ministros do STF estará com ânimo claramente favorável a Bolsonaro.

 

Cadê a diplomacia?

A julgar pelas primeiras atitudes do presidente eleito argentino com relação ao Brasil e de Bolsonaro com relação a ele, o relacionamento entre os dois países, grandes parceiros comerciais, enfrentará tempos turbulentos. O novo presidente argentino ignorou que o Brasil é uma democracia e tem instituições consolidadas, e disse que Lula está preso injustamente. Culminou com o grito de “Lula Livre”. Bolsonaro se negou a cumprimentar

 

o presidente argentino pela vitória, e seu chanceler, Ernesto Araújo, disse que “as forças do mal comemoram” a vitória da chapa Fernández-Kirchner.

 

As negociações entre ambos, prevê-se, deverão ser muito difíceis. A função da diplomacia é permitir que os países cheguem a acordos mesmo quando seus mandatários não se entendem. Se a diplomacia é ignorada – e isso acontece de ambos os lados – como irá, por exemplo, funcionar o Mercosul? E como fica o acordo do Mercosul com a União Europeia?

 

COMENTE: carlos@brickmann.com.br

Twitter: @CarlosBrickmann

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