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O inesperado aconteceu: mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil. A empresa responsável pela criação destes insetos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.   O plano para reduzir a população local de mosqu...

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Mosquitos geneticamente modificados libertados em Jacobina deu errado

Publicado por: Redação
26/09/2019 08:01:44
Courtesy Pixabay
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O inesperado aconteceu: mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil. A empresa responsável pela criação destes insetos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

 

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, Bahia, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este inseto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

 

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

 

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos causam preocupações em relação à sua segurança.

 

O objetivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afetar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detetaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

 

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

 

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

 

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

 

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

 

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “atualmente trabalhando com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

 

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

 

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

 

Fonte: Planeta ZAP //

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