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O Brasil passou por importantes mudanças estruturais desde a metade dos anos 1920, tornando-se predominantemente urbano. No entanto, desigualdades sociais permaneceram

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Brasil pais desigual

Publicado por: Redação
26/04/2018 19:02:28
Foto: ebc
Foto: ebc

Em média, a renda do 1% mais rico da população brasileira foi equivalente a 24% da renda total do país no período de 1926 a 2015, o que representa o dobro da concentração observada na maioria dos países do mundo, de acordo com estudo publicado na quarta-feira (25) pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (IPC-IG/PNUD).

 

O estudo "Uma história de desigualdade: as maiores rendas no Brasil, 1926-2015", do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Pedro Ferreira de Souza, mostrou que apesar de mudanças estruturais, como o fato de o país ter se tornado predominantemente urbano a partir da metade dos anos 1920, de o Produto Interno Bruto (PIB) per capita ter se multiplicado por 12 e os níveis educacionais terem melhorado significativamente, a concentração de renda no topo da pirâmide manteve-se alta.

 

De acordo com a pesquisa, feita com base em dados do Imposto de Renda, a fração da renda recebida pelos mais ricos evoluiu em ondas, frequentemente flutuando entre 20% e 25% dependendo de mudanças institucionais e políticas.

 

"A concentração no topo aumentou durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e esmaeceu quando as condições excepcionais da Segunda Guerra Mundial passaram", segundo a publicação.

 

Outro pico de concentração ocorreu durante os anos após o Golpe Militar de 1964, quando a ditadura reprimiu a esquerda e instituiu uma série de reformas favoráveis à acumulação de capital. "As fatias recebidas pelos ricos diminuíram no fim dos anos 1970, mas cresceram novamente nos anos 1980, quando a situação política que levou à redemocratização resultou em uma inflação galopante", salientou o pesquisador. Ele afirmou que a estabilização macroeconômica de 1994 parece ter tido algum um efeito nivelador de renda, mas a concentração no topo não se alterou desde então.

 

Os resultados da pesquisa a partir de dados tributários indicam que a concentração de renda permaneceu alta inclusive depois dos anos 2000. Estudos anteriores, que só levavam em conta dados de pesquisas domiciliares, haviam indicado uma redução da desigualdade a partir daquele ano. No entanto, essas pesquisas não auferiram os ganhos de capital dos mais ricos, mais bem capturados pelas declarações de Imposto de Renda.

 

"'Dar com uma mão e tomar com a outra' é prática comum nos Estados modernos. Por exemplo, a recente expansão do Estado de bem-estar social no Brasil foi financiada principalmente por tributação indireta, que é muitas vezes regressiva, e as transferências mais redistributivas — como o Programa Bolsa Família — são mínimas comparadas aos incentivos fiscais e créditos subsidiados conferidos às grandes empresas", disse o pesquisador no estudo.

 

Clique aqui para acessar o estudo completo (em inglês).

 

Fonte: ONU BR

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