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Não há proposta, os investimentos praticamente não existem, diz pedagoga sobre a polêmica em torno da duração do processo de alfabetização   Segundo Neide Noffs, não há vontade política no país para encarar a aprendizagem como um direito social de cada...

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Educação: Alfabetizar antes de hora: certo ou errado?

Publicado por: Redação
04/09/2017 09:44:43

"Não há proposta, os investimentos praticamente não existem", diz pedagoga sobre a polêmica em torno da duração do processo de alfabetização

 

Segundo Neide Noffs, não há vontade política no país para encarar a aprendizagem como um direito social de cada criança

 

O Ministério da Educação (MEC) e o CNE - Conselho Nacional de Educação - ainda não estabeleceram um acordo sobre a duração do processo de alfabetização.

 

A posição do MEC é clara: antecipar a alfabetização para o 2º ano do Ensino Fundamental. Já o CNE ainda analisa a terceira versão do documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) feito pelo MEC.

 

Para Neide Noffs, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia, ABPp, e da Faculdade de Educação da PUC-SP, a preocupação para determinar um tempo limite para a alfabetização é o menor dos problemas, já que demanda algo além de tempo no calendário.



"Envolve técnica, processos, condições e, também, a capacitação do educador", diz ela.


O tempo para a aprendizagem funciona apenas como base para um processo mais complexo.

 

Para que a alfabetização se consolide, é preciso observar o ambiente onde ocorre o letramento e a fase de maturação da alfabetização, fatores determinantes na construção da leitura e escrita.


A educadora diz ainda que o professor precisa estar atento às pluralidades das formas e técnicas de transmissão dos conteúdos.


Para isso, a qualificação do profissional é essencial, sendo contraditório os mais inexperientes ocuparem cargos neste período da alfabetização.


"Colocar os menos experientes no ciclo inicial é resultado de más condições de trabalho, baixos salários e falta de acompanhamento na formação dos educadores", diz Neide Noffs. "Em síntese: não há vontade política".


A solução encontrada pela educadora é a mudança do foco do debate.


Este deve estar no acompanhamento do professor, o capacitando para que ajude cada estudante - e suas singularidades. "Falta entender, de uma vez por todas, que a alfabetização é um direito de cada criança".

 

"Os professores estão preparados para lidar com o ritmo de cada um, com o acesso ao letramento, à leitura? Como a escola lida com isso?", prossegue Neide Noffs.

 

"São coisas que se articulam, mas no geral se aprende ler, lendo, e escrever, escrevendo. É preciso ter vivências e experiências para interpretar o que se está lendo e expressar de forma clara aquilo que se escreve".


Se pudesse interferir no debate, a educadora mudaria tudo.


"A questão da idade depende de maturação, e cada criança tem seu ritmo próprio, que deve ser respeitado. Ela é importante como elemento norteador, mas a questão central, e que nunca é observada por falta de interesse político, deve ser no acompanhamento docente, através da formação continuada, e boas condições para os alunos nas escolas. O professor não precisa ser vigiado, e sim acompanhado. Precisa de apoio para entender o aluno e buscar os melhores meios para que ele possa se alfabetizar e se desenvolver".