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Antropólogo, historiador e pesquisador, e um dos mais conhecidos ativistas brasileiros em favor dos direitos civis LGBT, Luiz Mott ministra o curso 'Percursos temáticos de um Antropólogo paulistano que virou Etnohistoriador baiano' no Programa de Pó...

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Antropólogo ministra curso na Pós-Graduação da Unesp de Franca

Publicado por: Redação
01/08/2017 09:41:38
Antropologo Luiz Mott Foto:Revista Pré-Univesp
Antropologo Luiz Mott Foto:Revista Pré-Univesp

Antropólogo, historiador e pesquisador, e um dos mais conhecidos ativistas brasileiros em favor dos direitos civis LGBT, Luiz Mott ministra o curso 'Percursos temáticos de um Antropólogo paulistano que virou Etnohistoriador baiano' no Programa de Pós-Graduação em História na Unesp de Franca de 2 a 4 agosto. 



Leia entrevista com Mott, Professor Titular de Antropologia da Universidade Federal da Bahia, Doutor pela Unicamp, Mestre pela Sorbonne e Licenciado em Ciências Sociais pela USP.

 

Portal Unesp: Qual será o conteúdo do curso que vc. vai ministrar na Unesp, a abordagem e como surgiu a aproximação com a nossa Universidade?


Luiz Mott: Os principais tópicos a serem abrodados são: Da Antropologia Econômica das Feiras e Mercados à Etno-Demografia Histórica do Piauí Colonial e Sergipe Imperial; Estudos Inquisitoriais: O Santo Ofício, fontes, temas e pistas de pesquisa; e História Nefanda Histriografia da homossexualidade no mundo luso-indo-afro-brasileiro.

 

PU: Recentemente a Unesp aprovou resolução que diz respeito ao uso de nome social para transgêneros (http://www.unesp.br/portal#!/noticia/27863/unesp-assegura-uso-de-nome-social-para-transgeneros/). Como vc, vê essa conquista dentro do panorama geral do assunto no Brasil?


Mott: As universidades devem liderar a afirmação da cidadania das minorias sociais, mulheres, índios, negros, lgbt, etc. Não só realizando pesquisas e divulgando trabalhos científicos sobre o tema, mas dando exemplo de aplicação de políticas públicas que garantam a cidadania dessas categorias. No caso da comunidade LGBT, a Universidade caminha lentamente, em parte por omissão dos próprios docentes, alunos e funcionários lgbt que não pressionam para erradicar qualquer manifestação de homofobia, como para garantir direitos isonômicos. O reconhecimento do nome social de transexuais é medida fácil de ser aplicada e de grande importância para dar visibilidade às trans e garantir-lhes seu direito elementar de serem chamadas pelo seu verdadeiro nome.



PU: Qual é a sua percepção de questões envolvendo a dimensão LGBT na universidade brasileira e na socidade como um todo? A sua visão é otimista ou não no sentido de essas discussões estarem alcançando maior visibilidade?


Mott: Lastimavelmente o Brasil é um país extremamente contraditório para os LGBT: em seu lado cor de rosa, abriga a maior parada LGBT do mundo, tem a maior associação LGBT da America latina, já aprovou o casamento homoafetivo, porem, tem seu lado vermelho sangue, representado pelos cruéis assassinatos de gays e travestis. A cada 23 horas registra-se um “homocídio”, 343 em 2016, 237 neste ano. Metade dos assassinatos homofóbicos do mundo são cometidos no Brasil. Herdamos da Inquisição e escravidão essa sangrenta homofobia, infelizmente atualizada pelos sermões homofóbicos dos fundamentalistas evangélicos e católicos, cada vez mais poderosos no Parlamento e que fizeram Dilma/Temer reféns  de seu projeto teocrático de dominação de nosso país. Sempre sou otimista e acredito que apesar dos Felicianos, Malafaias, Bolsonaros e dos fundamentalistas cristãos, a história da libertação lgbt é irreversível e o Brasil há de erradicar os crimes contra lgbt e aprovar a cidadania plena de mais de 20 milhões de brasileiros cujo “crime” é amar seus semelhantes.



Contato com o pesquisador:
luizmott@oi.com.br

Oscar D'Ambrosio

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