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Porque o Brasil é muito mais que um país corrupto; é, na verdade, uma cleptocracia (kleptos = ladrão; cracia = poder, governo). Aqui o poder é exercido por ladrões e parasitas do dinheiro público, que fazem parte das elites dominantes.  

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Por que o Brasil é um país mediano ou medíocre?

Publicado por: Redação
19/01/2017 08:15:23

Porque o Brasil é muito mais que um país corrupto; é, na verdade, uma cleptocracia (kleptos = ladrão; cracia = poder, governo). Aqui o poder é exercido por ladrões e parasitas do dinheiro público, que fazem parte das elites dominantes.

 

Enquanto eles não forem desalojados do poder (pela Justiça assim como pelo voto popular), o Brasil continuará em crise permanente (juntas, todas as crises estão levando o país, cada vez mais complexo e ingovernável, para o abismo). As crises constantes revelam o retrato de um país mediano ou medíocre (conforme o indicador de que se trate).

 

Não há desgraça coletiva ou colapso do serviço público (como é o caso das prisões, por exemplo) advindo da obra humana que não tenha por detrás a monstruosidade da pilhagem do dinheiro comum praticada pelos donos cleptocratas do poder (ou seja, pelos barões ladrões saídos das elites dirigentes e privilegiadas do país).

 

O povo tunisiano ainda não encontrou a melhor forma de governar o país, mas conseguiu (em 14/1/11) derrubar (por meio da Primavera Árabe) o líder das elites privilegiadas, presidente Zine El Abidine Ben Ali, que o governava desde 1987. A mesma coisa se passou no Egito: Hosni Mubarak, ditador durante 30 anos, foi retirado do poder em 11/2/11).

 

Desde 2011 vários países estão sendo sacudidos pelas manifestações populares. No nosso caso (junho/13), protestava-se contra a corrupção e sua impunidade assim como contra a má qualidade dos serviços públicos (ver E. Bucci, A forma bruta dos protestos).

 

A corrupção dos donos cleptocratas do poder passou a ser combatida (desde 2014) pela Lava Jato (e operações congêneres). Essa tarefa não pode parar (ao contrário, dentro da lei, tem que ser intensificada).

 

Ao mesmo tempo, aquela “má qualidade” dos serviços públicos vem piorando e está alcançando o colapso em muitos lugares (e setores). Falência absoluta (como é o caso da perda do controle dos presídios, por exemplo)

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Considerando que o espírito das manifestações iniciadas em 2011 (no mundo todo, praticamente) não desapareceu, é previsível que continuem os protestos contra a miséria, o desemprego, a queda nas condições de vida, a impunidade da corrupção, a concentração absurda da riqueza das nações nas mãos das elites corruptas ou privilegiadas etc. (8 pessoas possuem capital equivalente a 3,6 bilhões de pessoas no mundo6 homens têm a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros juntos).

 

Por que o Brasil continua sendo um país mediano ou medíocre (em praticamente todas as estatísticas mundiais)?

 

IDH – Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas: 75ª posição (nota 0,755) em 2015, dentre 188 países;  Gini (Banco Mundial): 51,5 em 2014;Ranking de Educação: (PISA – OCDE):  63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática em 2015, dentre 70 países;  Ranking de Patentes válidas( Relatório da Organização Mundial de Propriedade Intelectual) : Penúltimo lugar, dentre 20 países analisados (o Brasil só ganha da Polônia), divulgado em 2014; Ranking de Competitividade: (Fórum Econômico Mundial): 81ª posição em 2016, dentre 118 países – queda de 6 posições com relação ao ano anterior; Corrupção: 4º país mais corrupto do mundo, segundo o Fórum Econômico Mundial (julho/16, Suíça); 76ª posição no ranking da Transparência Internacional.

 

Porque somos roubados diariamente pelos corruptos e surrupiados pelos parasitas (que canalizam para eles a quase totalidade dos recursos públicos de todos).

 

A Odebrecht, a Andrade Gutierrez, Engevix etc. assim como os beneficiários das suas propinas (políticos, partidos, funcionários públicos, marqueteiros etc.) roubam o país todos os dias (ver a Lava Jato).

 

A JBS (Friboi), as empresas de Henrique Constantino (Gol, construtoras etc.) e tantas outras, quando conseguem financiamentos na Caixa Econômica (com intermediação de Eduardo Cunha, Geddel etc.), em condições favoráveis, parasitam a nação cotidianamente.

 

Os donos cleptocratas do poder (os barões ladrões assim como as saúvas parasitas) não estão nem um pouco preocupados, por exemplo, com a educação de péssima qualidade oferecida para os excluídos das benesses materiais.

 

Como essas lideranças promíscuas se preocupam exclusiva ou prioritariamente com os seus interesses (não com o bem comum), não aprenderam administrar os problemas de uma sociedade (hoje) extremamente complexa (ver Norman Gall, Lula e Mefistófeles).

 

O preparo dessas lideranças é inversamente proporcional ao aumento das complexidades. Isso se deve, desde logo, à baixa ou ruim escolaridade das próprias lideranças. Elas nunca foram capazes de estruturar instituições à altura das necessidades de um país que agora chegou a 206 milhões de habitantes. Pior que as imperfeitas instituições é, frequentemente, a qualidade e a irresponsabilidade de muitos dos seus operadores.

 

A riqueza material que transita pelo país (com PIB superior a 5 trilhões) aliada à precariedade e frouxidão institucionais possibilitou aos donos cleptocratas do poder (saídas das elites dirigentes) tanto o locupletamento ilícito (veja as medonhas corrupções da Odebrecht pagas ao sistema político-partidário) como o politicamente favorecido (veja os empréstimos subsidiados do BNDES ou da Caixa Econômica Federal, por exemplo) e tudo isso numa velocidade muito superior ao aprimoramento da governabilidade honesta da nação (ver N. Gall, Lula e Mefistófeles).

 

Sintetizando: de um lado temos a complexidade gradual do país (éramos 17 milhões em 1900; 90 milhões em 1970; 137 milhões em 1985; 206 milhões em 2006) + riqueza material crescente (estamos na lista dos dez países mais ricos do planeta); de outro temos baixa capacidade administrativa (em virtude da educação de péssima qualidade) + corrupção sistêmica + parasitas do dinheiro público + instituições frágeis.

 

Essa é a receita perfeita para o calapso dos países (ou gradativo colapso dos seus serviços). Enquanto permanecerem combinados esses fatores não sairemos do atoleiro do país mediano ou até mesmo medíocre (em alguns indicadores), com baixo ou negativo crescimento econômico.

 

Estado ineficiente (que não cumpre suas funções básicas: educação, saúde, Justiça e Segurança) + corrupção sistêmica + falta de educação de qualidade para todos.

 

A quem compete mudar tudo isso? À Política, com “P” maiúsculo. Ocorre que essa Política está “comprada” pelos agentes do mercado cleptocrata (ladrões e parasitas bem posicionados dentro do Estado). Essa é o entrave do Brasil.

 

Enquanto o poder político for manipulado pelas pequenas elites (dos donos cleptocratas do poder) que dominam os monopólios e oligopólios o Brasil não subirá de patamar.

 

Nosso problema, portanto, não é geográfico, não é uma cultura incompatível com o progresso, climático, não é do solo etc. Nosso problema reside na existência de uma pequena elite que tem muitos privilégios e que se enriquecem corruptamente ou politicamente às custas do restante da nação.

 

Uma pequena elite organizou o Brasil em função dos seus interesses (corruptos ou politicamente favorecidos). Desde 1500 é assim. A maior riqueza é sempre canalizada para o mesmo grupo, o grupo de sempre (os donos cleptocratas do poder). O Brasil é um país mediano ou medíocre por isso.

 

O Reino Unido hoje é o que é porque em 1688 derrubou as elites que controlavam o poder. Mudaram a política e, depois, a economia. A mesma coisa ocorreu nos EUA (no final do século XVIII), na França (1789), no Japão (1868), em Botsuana (1966) e por aí vai. Quando há troca de governos, sem alteração das estruturas cleptocratas, nada muda (ver Acemoglu e Robinson, Por que as nações fracassam).

 

Não basta trocar o partido “X” pelo “Y” (se eles continuarem com a mesma governabilidade corrupta): precisamos mudar a mentalidade das lideranças que nos governam. A política tem que ser feita com “P” maiúsculo. A economia tem que ser competitiva. A educação precisa ser de qualidade para todos. Sem isso o Brasil será um país fracassado.